Sunday | October 07, 2007

Song to the Siren

Long afloat on shipless oceans

I did all my best to smile

'til your singing eyes and fingers

Drew me loving to your isle

And you sang

Sail to me

Sail to me

Let me enfold you

Here I am

Here I am

Waiting to hold you

Did I dream you dreamed about me?

Were you hare when I was fox?

Now my foolish boat is leaning

Broken lovelorn on your rocks,

For you sing, touch me not, touch me not, come back tomorrow:

Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow

I am puzzled as the newborn child

I am troubled at the tide:

Should I stand amid the breakers?

Should I lie with death my bride?

Hear me sing, swim to me, swim to me, let me enfold you:

Here I am, here I am, waiting to hold you

Posted by Sad Peter Pan at 05:44:00 | Permanent Link | Comments (31) |

Thursday | August 30, 2007

Há dias assim, em que se acorda com vontade de não abrir os olhos. Dias que se querem mudos, quedos, invisíveis. Dá-me vontade de ter uma existência automática, de não responder por mim mesmo, de viver unicamente pela vontade da minha vontade de vazio. E fico, horas e horas, acordado como se estivesse a dormir, a vaguear por estas ruas, à espera de nem eu sei o quê. Um sinal, uma saída, um caminho para fora do labirinto em que me cerrei, e para fora de mim mesmo. E, se possível for, para dentro de mim outra vez. Estou cansado de ser tão eu que já não me vejo senão por fora de mim. Eu só estou bem onde não estou, como já dizia o outro, e curiosamente, estou sempre onde vou causar mais dano, sem apelo nem agravo, e pior que tudo, de forma inconsciente.

Há dias assim, em que mais valia ter-te só a ti e mais ninguém, nem a mim. Em que mais vale termos, não o que é certo e seguro, mas o que nos vais dar um sentido, uma razão. Em que tenho vontade de ser (ainda mais?) egoísta, e nem mesmo a nós ter. Ter-te só a ti, e transformar-me em idólatra. Construir-te um altar. Reunir todas as minhas forças e erguer-te local de culto, terreno sagrado. Fechar-me em copas contigo, por éons, e consumir-te até à insanidade, até eu mesmo me reduzir ao nada que sou comparado contigo.

Sinto-te cá dentro. Queimas, de verdade, como se me fosse consumir no fogo dos teus acordes, e atar as minhas mãos e as minhas pernas nas tuas cordas de bronze. És a única culpada da minha perdição. Gasta-me em sonhos a teus pés. Contemplo-te noite e dia e não consigo materializar-te no vácuo que nos separa. Condicionaste o génio contido em mim, e nunca te vou perdoar por isso. Porque tu és tudo o que nunca conseguirei abandonar, e que há-de ser a minha morte. Sonho e nervos. É tudo o que sou por tua conta, por tua causa, my one and only. E não consigo culpar-te por isso, não consigo apontar-te um dedo que não seja para te tocar nas vestes em envergas quando desces sobre mim para me amar e me deixares ainda mais enredado em ti.

Amas como quem vinga.

Posted by Sad Peter Pan at 03:51:23 | Permanent Link | Comments (0) |

Sunday | July 29, 2007

Stand-down Comedy

Mais um fim de semana passado a ver os dias a passarem. O calor que surpreendeu o meu corpo não veio  de forma alguma ajudar ao meu estado de espírito já de si laxo. Fim de semana passado a correr em velocidade lenta, cozinhado em lume brando um tanto quanto agressivo. Puro spleen de verão britânico em temperaturas de siesta mediterrânica.

Festa com os amigos. Despedida de um amigo do qual afinal não consegui despedir-me pela sua inexplicável ausência. è esta uma das razões pelas quais odeio multidões. Torpor alcoolizado. Copos e palavras sem sentido, rodeado de gente que eu amo e não conheço. Foi sem estranheza que dei por mim a fumar cigarro atrás de cigarro completamente sozinho sentado debaixo de uma árvore com o sol matinal a fustigar-me os olhos já de si massacrados pela noite demasiado longa. E foi entre mais uma cerveja e o segundo maço vazio a ser amarrotado que veio a tristeza. Tristeza de estar, mais uma vez, sozinho no meio da multidão. Mas, e daí, ninguém tem culpa de ser eu quem não consegue dormir. Dei por mim a encarnar a personagem do palhaço triste, e lembrei-me de uma noite, em cima do palco, em que tentava entreter uma plateia, e enquanto eu tocava a minha guitarra, só chorava por dentro. Enquanto eu derramava o meu sentimento idiota, os alarves bebiam Bohemias e falavam alto. E eu já só ouvia as minhas lágrimas a correrem nas cordas. Não vale a pena. Apaguei o cigarro, levantei-me e fui deitar-me na relva fresca. Demasiada luz. Quero o escuro.

Ligaste-me para um café. Vais embora. Demasiado cedo. Demasiado tarde. Mas como de costume, as razões para essa dicotomia vão ficar por dizer, como é nosso hábito. Deixamos sempre tudo e muito mais por dizer. Queremos acreditar que nos entendemos sem palavras e que as mesmas nos traem de cada vez que as usamos, mas de facto temos medo, muito medo de falar um com o outro. Temos bem presentes as razões que nos levam a afastar-nos, mas somos incapazes de confessar as que nos mantêm juntos. "Minimizar estragos", lembra-te sempre disso.

Não te/me/nos entendo.

Posted by Sad Peter Pan at 22:58:06 | Permanent Link | Comments (0) |

(i sure am...) Getting older

I took my love, i took it down
Climbed a mountain and i turned around
And i saw my reflection in the snow covered hills
'til the landslide brought it down
Oh, mirror in the sky
What is love?
Can the child within my heart rise above?
Can i sail thru the changin' ocean tides?
Can i handle the seasons of my life?
I don't know.....
Well, i've been afraid of changin'
'cause i've built my life around you
But time makes you bolder
Even children get older
And i'm getting older too
Oh, take my love, take it down
Climb a mountain and turn around
And if you see my reflection in the snow covered hills
Well the landslide will bring it down
And if you see my reflection in the snow covered hills
Well the landslide will bring it down
The landslide will bring it down
Posted by Sad Peter Pan at 22:34:39 | Permanent Link | Comments (0) |

Friday | July 27, 2007

Haiku

O cigarro de fumaça impalpável e brasa colorida,
que se afunda a si mesmo num cinzeiro,
será um poeta?...

Posted by Sad Peter Pan at 04:31:12 | Permanent Link | Comments (0) |

Damn...

É principio de tarde e decidi sentar-me nos bancos da avenida. Acendo um cigarro e contemplo distraidamente as pessoas à minha volta. Principalmente as que estão sentadas como eu. São uma multidão heterogénea. Novos, velhos, homens, mulheres. Sozinhos, aos pares. Do mais indigente ao executivo de fato de corte barato. “O império dos sentados” como gosto de lhes chamar. São personagens que parecem ter parado no tempo, mesmo que não estejam aqui há muito tempo, não deixa de parecer que já não são indivíduos, mas que são eles próprios um prolongamento da madeira e do aço de que são feitos os seus tronos improvisados.

Governam cada um uma vida, ou contemplam uma qualquer filosofia inócua e de ocasião. São ao mesmo tempo, ditadores e pensadores do pequeno império de lajes de granito, pombos e lixo do MacDonalds que se espraiam a seus pés. Absorvem a pouca luz do dia nublado como se dela dependessem para viver.

Fumam cigarros indolentemente, como se cada um deles depois de aceso fosse a ampulheta com a qual medem o tempo que passa. Será que medem as horas pelo ritmo a que o maço se esvazia?

Agora todos os olhos se elevam para o céu. O sol foi-lhes roubado e aproxima-se um aguaceiro, precedido por este vento estranhamente cortante. Mas nenhum deles faz o mínimo gesto para se levantar. Aguardam despreocupadamente a água fria que lhes vai colar os cabelos às frontes, enregelá-los e torná-los duros como o granito em que os seus pés se apoiam. Vão tornar-se as estátuas vivas, sem que isso as pereça assustar. Quase parece que estão ansiosa e pacientemente à espera disso. Começa a chover. Decido correr o risco de me tornar um monólito e ombrear com estas grotescas personagens e fico. Mas será que decidi mesmo ou não consigo simplesmente levantar-me? De qualquer forma, já não sou eu quem manda.

Começou a chover. Os pombos, súbditos sem saberem, debandaram às primeiras gotas caídas. E eis que começa. As roupas a ensoparem. As meias de vidro da reformada que passam de branco nacarado ao tom pouco bronzeado das suas pernas. É o bigode do homem de meia idade que pinga água como um pincel molhado. A gravata do executivo que esvoaça frenética, lhe fustiga a cara, o pescoço, o peito. A maquilhagem das teenagers escorre pelos rostos demasiado jovens que elas tentam dia após dia tornar mais maduros sem saberem o que perdem. As suas roupas diminutas que se colam aos corpos, lhes denunciam as formas de meninas em corpos de mulheres, que elas desejam embrutecer rapidamente (“morreremos jovens mas belas”). O xaile da sem abrigo que se ensopa e se torna mais pesado que um jugo, sem que ela ceda um milímetro que seja.

Todos fumam. Nenhum pára de fumar, mesmo com os cigarros já molhados e amarelecidos. Todos eles continuam agarrados às suas ampulhetas, mordem-nos vorazmente, agarrando-se a eles para que o tempo passe, para que o tempo não páre.

Cigarros que são como relógios sem corda, parados no tempo, que têm uma hora certa. Duas vezes ao dia. Só a seguir ás refeições.

Eis que começa.

De repente, com o aumentar da chuvada, começo a notar uma alteração nos seus corpos. É um espectáculo quase horrífico. A chuva, como um ácido, começa a corroer-lhes a pele, que começa a cair em pequenos pedaços. E por baixo dessa pele, surge uma nova, tão branca e imaculada como a de um recém-nascido.

E sorriem.

Sorriem à medida que a pele lhes é arrancada e com ela todos os pequenos pecados, culpas, fardos e angústias que têm carregado até hoje. Sorriem. E fumam. Puxam cigarros atrás de cigarro, como se as suas próprias vidas dependessem disso. A nova pele, os seus novos “eus”, limpos, leves e imaculados, brilham com uma luz fortíssima, do mais luminoso branco que já vi. Como neve.

Já não sorriem. Agora riem. Riem para mim, um riso sardónico e malévolo. E fumam. Não param de fumar. Riem. Fumam. E eu já só choro. Tenho frio. Estou frio. Sou frio. Granítico. Fumam e riem. Riem não para mim, mas de mim. Quero mexer-me, mas não consigo. Os meus membros enrijeceram, o sangue coagulou nas veias em veios de quartzo. Só a minha mente se mantém um magma tenuamente fluido. Agora sou eu uma estátua neste jardim. Fiz com que o tempo parasse para mim, e agora sou incapaz de voltar a pô-lo em movimento. Sou eu agora o prolongamento do banco, o apêndice deste parque, como aqueles sobre os quais meditava há pouco.

Estátua.

Imóvel.

Pedra.

Parou de chover. Todos pararam de rir. Já não sorriem. Levantam-se, ignorando a minha presença, como se eu fosse já um adereço na avenida. O sol voltou, e todos se afastam. E os pombos, súbditos abandonados pelos seus imperadores de bancos de jardim, fumadores de tempo, agora de alma lavada, vêm pousar em mim. Sou eu agora o poleiro que usam para perscrutar ao longe à procura de um novo monarca. E arrulham altivamente em cima de mim.

Bolas, não devia ter parado de fumar.

Posted by Sad Peter Pan at 04:13:09 | Permanent Link | Comments (0) |